Abril Indígena mobiliza universidade e comunidade em Catalão pela valorização dos povos originários
A Universidade Federal de Catalão (UFCAT) realiza, ao longo do mês de abril, uma programação especial em alusão ao Dia dos Povos Indígenas 2026, reafirmando seu compromisso com a promoção dos direitos humanos e com a valorização da diversidade cultural. A iniciativa é coordenada pela Secretaria de Ações Afirmativas (SEAF), em parceria com diferentes setores da universidade e da comunidade externa.
Com o tema “Pluralidades e Convivências: formas de ser, saber e viver”, as atividades buscam ampliar o debate sobre a realidade dos povos indígenas no Brasil, ao mesmo tempo em que evidenciam o papel social da universidade na construção de uma sociedade mais justa e inclusiva.
Atualmente, a UFCAT conta com 43 estudantes indígenas, pertencentes a seis etnias, matriculados em cursos de graduação: Artikum-Umã, Pankararu, Pankará, Truká, Xacriabá e Xavante. Muitos desses estudantes vieram para a cidade de Catalão e trouxeram os seus familiares por questões culturais, comunitárias e afetivas. Desta forma, atualmente aproximadamente 70 indígenas entre crianças, adolescentes, mulheres e homens fazem parte da sociedade catalana. Esse movimento reforça a universidade como espaço de acolhimento, integração e transformação social.
Um dos destaques da programação foi a participação de estudantes indígenas e não indígenas da UFCAT no Acampamento Terra Livre (ATL), realizado entre os dias 7 e 9 de abril, em Brasília. Considerado a maior mobilização indígena do país, o evento reuniu milhares de representantes de cerca de 200 povos, em defesa de pautas como demarcação de terras, preservação ambiental e garantia de direitos sociais.
Para a estudante de História, Hanuan Oliveira Cruz, do povo Xacriabá, a experiência foi marcante. “A participação no ATL foi de extrema importância, tanto como aluna da UFCAT quanto como indígena. É um espaço de resistência, de escuta e de construção coletiva entre diferentes povos”, afirmou.
A estudante Cindy Lauane Mesquita Costa, do curso de Letras, também destacou o impacto da vivência. Segundo ela, o contato direto com diferentes culturas indígenas fortalece a compreensão da diversidade e da importância da luta coletiva. “Essa luta não é só dos indígenas, é de todos nós. Defender os povos indígenas é também defender a natureza e o nosso futuro”, ressaltou.
Além da participação em eventos nacionais, a UFCAT promove atividades abertas à comunidade, como exibição de filmes, mesas-redondas e a Feira Agroecológica e Cultural Indígena, prevista para o dia 30 de abril, em frente ao Restaurante Universitário. A programação inclui apresentações culturais, exposição de artesanato e participação de grupos tradicionais da região, fortalecendo o diálogo entre universidade e sociedade.
Ao integrar ensino, pesquisa, extensão e ações afirmativas, a UFCAT consolida-se como um espaço de escuta, respeito e valorização das diferentes culturas. Mais do que celebrar uma data, a universidade reafirma seu papel ativo na promoção da cidadania e na defesa dos direitos dos povos indígenas, ampliando seu impacto para além dos muros institucionais.
Texto publicado com informações da Secretaria de Ações Afirmativas (SEAF)
